Concluímos no estudo anterior que Abimeleque, homem terrivelmente ambicioso, tornou-se juiz, não por ter sido escolhido por Deus, mas por sua própria imposição, primeiramente por meio dos chefes de seu clã, e depois
por aclamação popular. Para consolidar sua autoridade, mandou matar os
setenta filhos de seu pai. Apenas Jotão, entre os filhos de seu pai, sobreviveu ao massacre.
Como usurpou temporariamente o poder local, com aparente plano de estender
este poder às demais regiões do país, o tempo que
dominou sobre Israel não entra no cômputo total de Juízes.
O novo juiz que se levantou para guerrear contra os amonitas, depois da morte de Abimeleque, chamava-se Tola, da Tribo de Issacar.
Tudo o que se sabe sobre ele está nos dois primeiros versículos do
capítulo 10: seu pai, seu avô, sua tribo e onde morava. Foi juiz durante
vinte e três anos. Durante esse
tempo não houve nada de notável.
Julgou
Israel por um período de vinte e três anos, entre 1241 e 1219 a.C., subjugando o povo amonita.
NOTA: Não encontramos fatos notórios sobre sua liderança, ou qualquer registro sobre o comportamento dos israelitas após sua morte. Mas podemos concluir que o povo tornou à adoração aos deuses das outras nações.
Após a morte de Tola, Deus levantou Jair, da cidade de Gileade como juiz entre os israelitas. Pela informação nos poucos versículos sobre o gileadita, ele devia ser de uma família rica e influente na região. Como não há maiores registros sobre o seu período como juiz, acreditamos que nada de notável aconteceu durante os vinte e dois anos que julgou Israel, o povo pode ter tido paz (1131 - 1109 a.C).
Os problemas voltaram a acontecer após a morte de Jair. O povo, prosperando pela paz que existia, voltou-se novamente para os ídolos e deuses das nações vizinhas, deixando de servir ao Senhor.
Parece incrível que após tantas experiências dolorosas vividas no passado, os israelitas não aprendiam a lição. Quando ficavam sem um juiz temente a Deus, afastavam-se do Senhor e depois sofriam as consequências nas mãos dos inimigos que os rodeavam.
Dessa vez os israelitas foram submetidos à servidão pelos amonitas e filisteus durante dezoito anos. Os amonitas ainda atravessaram o Jordão para atacarem as tribos de Judá, Benjamim e Efraim.
NOTA: O povo amonita é descendente de Amom, filho incestuoso de Ló com sua filha mais nova, quando ele estava embriagado. Sua terra se localizava em frente a Jerusalém, do outro lado do rio Jordão;
Ao sul, ficava a terra do povo moabita, descendente de Moabe, o outro filho incestuoso de Ló com sua filha mais velha, quando ele estava embriagado ( Gn. 19. 30.38).
Geralmente esses dois povos eram aliados e inimigos poderosos dos israelitas.
A situação tornou-se tão angustiante, que os israelitas, mais uma vez, clamaram ao Senhor confessando seus pecados (Jz 10. 6-18) e o Senhor os lembrou de todos os seus maus caminhos, rejeitando-os...
Os israelitas provaram o seu arrependimento, lançaram fora os deuses dos outros povos, e voltaram-se para o Senhor, que sendo um Deus amoroso, mais uma vez teve compaixão dos israelitas.
E assim, o Senhor levanta Jefté (Jeftá), da Tribo de Gades (7º filho de Jacó). Era homem valoroso, guerreiro e temente a Deus, vivendo numa época de crise, com o cerco dos amonitas e dos filisteus.
Os grandes estudiosos afirmam que graças às informações sobre o seu período como juiz, foi possível sincronizar as datas de todos os juízes de Israel.
Filho de uma mulher canaanita (por isso ela é chamada de prostituta), foi expulso de casa por seus meio-irmãos, indo habitar numa cidade de nome Tobe (a leste de Gileade).
Quando os amonitas entraram em guerra com os israelitas, e como não havia qualquer homem com as qualificações de Jefté, os anciãos foram buscá-lo na terra de Tobe, para libertar os israelitas daquela opressão, e na oportunidade, Jefté fez uma proposta como podemos ver em Jz. 11.9-11.
Em sua primeira tentativa para evitar derramamento de sangue, Jefté, conhecendo bem a história de Israel, relembra aos amonitas que Israel não usurpou suas terras, mas que o Senhor é que as entregou por meio de Moisés. Como não obteve sucesso em suas argumentações ( Jz.11.12-27), Jefté partiu para seu plano de ataque, sob a direção de Deus.
Antes do combate, desejando fervorosamente a orientação divina, fez um voto ao Senhor (Jz. 11.30-31), sendo abençoado, derrotando os inimigos de Israel (Jz. 11.32-33).
Em referência a esse voto, acredita-se que ele não sacrificou sua filha por dois motivos:
1º - Sacrificar sua única filha não foi a intenção de Jefté (ele não tinha outros filhos), pois ele sabia que o Senhor odiava os sacrifícios humanos, que eram uma das perversidades dos cananeus; e no momento que ele fez o voto, o Espírito de Deus estava sobre ele, portanto, um sacrifício humano estaria fora de cogitação;
2º - Baseando-se na Lei mosaica, onde uma pessoa era dedicada exclusivamente no serviço ao Senhor, acredita-se que Jefté tenha pensado nessa devoção especial. E como adoradora leal a Deus, sua filha compartilhou da convicção de seu pai. E ela chorou "sua virgindade" porque sabia que jamais se casaria, e portanto não teria filhos para perpetuar o nome e a herança da família. E o sofrimento para Jefté significava que ele perderia a companhia de sua única e amada filha (Jz. 11. 35-36), tendo sido apresentada a Deus como sacrifício vivo, dedicando toda a sua vida como virgem, no serviço do santuário de Israel. Assim como mais tarde Samuel também cooperou para o cumprimento dos votos feitos por seus pais tementes a Deus...
A vida dedicada a Deus era um modo excelente, satisfatório e elogiável, assim "as filhas de Israel subiam de ano em ano para celebrar a filha de Jefté."
Jefté continuou a julgar Israel por seis anos - 1109 - 1103 a.C.
Depois da morte de Jefté, Deus levantou Ibzã, de Belém, da Tribo de Judá, homem com muitos filhos. Existem os relatos que julgou Israel por sete anos : 1103 - 1096 a.C e que guerreou contra os filisteus.
Depois de Ibzã, surgiu Elom, da Tribo de Zebulom, homem com muitos filhos e que julgou Israel por dez anos : 1096 - 1086 a.C. , guerreando também contra os filisteus.
Morrendo Elom, Deus levantou Abdom, da Tribo de Efraim. Também possuía muitos filhos, exerceu sua função no período de oito anos : 1086 - 1078 a.C., guerreando contra os filisteus.
Estes três juízes, por terem tido muitos filhos, eram homens de grandes posses. Pela quantidade de filhos, acredita-se que deviam ter bastante idade quando tornaram-se juízes.
Enquanto os três julgaram Israel, havia paz porque o povo servia ao Senhor . Mas após a morte do último juiz, Abdom, o povo voltou a fazer o que era mal aos olhos do Senhor, voltando-se para a idolatria.
A desobediência era a causa do sofrimento dos israelitas, que eram um povo fraco do ponto de vista militar, dedicando-se principalmente à agricultura e à pecuária. Era necessária a poderosa mão do Senhor para livrá-los dos povos inimigos ao redor. E durante quarenta anos o Senhor os deixou nas mãos dos filisteus, que eram uma ameaça constante. Os filisteus eram guerreiros valentes e tinham vantagens sobre os israelitas em termos de táticas de guerra e tecnologia da época, pois sabiam fazer armas de guerra ( I Samuel 13. 19-22). Nada disso adiantava, porém, quando o Senhor apoiava Israel.
E durante aqueles quarenta anos o Senhor se afastou do povo, ficou em silêncio. Mas ELE estava preparando um libertador desde a sua concepção: SANSÃO


