quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Estudo sobre o período dos Juízes - 3ª parte

   Os judeus continuaram sofrendo terrivelmente sob o domínio cruel de Sísera, comandante do exército do rei de Canaã, e em grande desespero clamaram a Deus. Foi então que Deus levantou a profetisa Débora ( 1234 a.C.) para libertar o povo da opressão. Naquela época, no meio de tanto pecado e idolatria, Débora permaneceu fiel a Deus e aos Seus ensinamentos.
Assim como as folhas da palmeira viram para cima juntas, Débora sentava-se debaixo de uma palmeira  para mostrar às nações que o povo judeu era unido. E assim ela advertia e exortava o povo para deixar seus maus caminhos e voltar para Deus, sendo muito respeitada por todos.
   Débora manda chamar Baraque, da Tribo de Naftali, para que fosse com homens de guerra atacarem Sísera. Baraque, porém, estava temeroso por causa da grandiosidade do exército do general Sísera e pediu que Débora fosse junto com ele, (porque os profetas desempenhavam várias funções em uma batalha: eles reuniam e inspiravam as tropas e ainda declaravam o tempo correto para o início do ataque).
Ela aceita ir, mas não desce para a batalha, pois o seu papel foi o de inspirar, prever e comemorar com o seu cântico de como Deus derrotou Canaã. Deus foi à frente, Débora anunciou a vitória de Deus.
   Débora e Baraque são reconhecidos como os libertadores do povo judeu das mãos dos cananeus. Os dois lideraram os israelitas por quarenta anos.

NOTA:Débora tinha um chamado : foi profetisa.
            Débora era casada e tinha apoio do marido ao seu chamado.
            Débora tinha uma missão : julgar o povo.
            Débora tinha um lugar para exercer seu ministério : embaixo de uma palmeira.
            Débora foi colocada em um lugar de destaque : no cume de um monte.
            Débora esperava o povo de Israel subir até ela : ficou no lugar onde Deus a colocou.
            Débora teve uma maternidade espiritual : recebeu o título de "a mãe de Israel".


   Após as mortes de Débora e de Baraque, o povo judeu ficou sem liderança, e assim voltou-se para os deuses das nações vizinhas. E mais uma vez, como um alerta, Deus permitiu a opressão pelos midianitas (povos nômades árabes), opressão essa que durou sete anos.
   A cada ano após a colheita pelos israelitas, os midianitas roubavam os alimentos e todos os animais. Para sobreviverem, os israelitas começaram a esconder seus alimentos. E assim o povo de Israel começou a passar muita necessidade e grande pobreza, mas continuava longe de Deus. 
   Até que lembrou-se das misericórdias do Senhor, clamou e foi ouvido. Assim Deus levantou Gideão - o 5º juiz  na história do povo de Israel - ano de 1194 a.C.
   Gideão, filho de Joás, da Tribo de Manassés, era um daqueles agricultores que escondia seus alimentos dos inimigos. E num determinado momento foi visitado por um anjo do Senhor, quando teve uma forte experiência com Deus. Entrou em discussão com o Senhor, julgando-se incapaz para libertar o povo da opressão.
    Como primeira missão recebida por Deus, Gideão teria de destruir os altares idólatras do seu próprio pai, e fazer um altar ao Senhor no mesmo lugar.
  Gideão também recebeu sinais miraculosos da parte de Deus confirmando a sua liderança sobre o povo de Israel para livrá-lo dos midianitas (Jz 6.36-40).
    Encontramos nos capítulos 7 e 8, a grande batalha enfrentada por Gideão, e como Deus, em Sua perfeita sabedoria teve um propósito na redução das forças militares de Israel, deixando Gideão com apenas trezentos soldados, para que ninguém se vangloriasse. E assim expulsou os midianitas do território de Israel. Sua vitória sobre os midianitas, talvez tenha sido a mais espetacular dentre os juízes. Liderou o povo por quarenta anos. 
    
    Apesar de sua brilhante carreira militar, Gideão, ao receber do povo argolas de ouro como presente, fez delas uma estola sacerdotal que ele colocou em sua cidade. Não se sabe da sua intenção, mas o povo após a morte de Gideão idolatrou aquela estola, tornando-a um ídolo para si, iniciando um outro ciclo de apostasia.

   NOTA:  Gideão era humilde, prudente, tinha espiritualidade, era obediente, 
tinha comunhão com Deus e era leal a Deus.

    Na sequência de causa e efeito, Abimeleque (seu filho com uma concubina),  no ano de 1154 a.C. se proclamou juiz, dominando sobre o povo por um período de três anos, sem a autoridade de Deus. Assassinou todos os demais filhos de Gideão.
    Seguindo seu caminho de sangue, Abimeleque atacou a cidade de Siquém matando milhares de pessoas inocentes. E ao seguir para a cidade de Tebes para incendiar uma torre (pois sabia que para lá haviam fugido todos os homens e mulheres da cidade), uma mulher jogou uma pedra de moinho em sua cabeça, rachando-a. Mas como não queria ser morto por uma mulher, pediu a um soldado seu que abreviasse sua morte atravessando-o com uma espada, e assim foi feito. 
 
    








terça-feira, 15 de outubro de 2013

Estudo sobre o período dos Juízes - 2ª parte

      Há um consenso de que o livro de Juízes tenha sido escrito pelo profeta Samuel.
Esse livro retrata as maldições da desobediência. Embora os maiores trechos do livro sejam de descanso e paz depois do arrependimento, a ênfase está nas consequências inevitáveis da idolatria pelo povo israelita, sempre quebrando a aliança com o Senhor, que desejava ser seu único Deus. 
    Depois da morte de Josué, toda aquela geração inicial morreu, surgindo uma nova geração que não reconhecia o Senhor e tudo o que ELE havia feito por Israel. 
E essa geração prestava culto aos deuses das nações vizinhas e se prostituía entre si, despertando a ira do Senhor que entregou os israelitas nas mãos do rei da Mesopotâmia Cuchã-Risataim - Jz.3.8, primeira consequência da desobediência. E durante oito anos o povo foi oprimido pelo rei da Mesopotâmia, período de intensa idolatria.
   O povo lembrou do Senhor, clamou a ELE que levantou Otoniel ( em outras traduções encontramos Otniel- sobrinho de Calebe, da Tribo de Judá).
O Espírito do Senhor estava com Otoniel que liderou o povo contra o rei opressor. Otoniel prevaleceu e os israelitas tiveram paz durante quarenta anos, até sua morte. 
(1354 a.C - 1314 a.C).

  NOTA: "Sempre que os israelitas saíam para alguma batalha, a mão do Senhor era contra eles para derrotá-los, conforme já lhes havia advertido. Então o Senhor levantou juízes que os libertaram das mãos daqueles que os atacavam. Mesmo assim eles não ouviam os juízes, antes se prostituíram com outros deuses e os adoraram...
Sempre que o Senhor lhes levantava um juiz, ELE estava com o juiz e os salvava das mãos de seus inimigos enquanto o juiz vivia...
Mas quando o juiz morria, o povo voltava a caminhos ainda piores... recusando-se a abandonar suas práticas e seu caminho obstinado." Jz. 2. 15-19


   Após a morte do juiz Otoniel, o povo de Israel desagradou novamente ao Senhor, voltando para a imoralidade e idolatria, e por isso o Senhor deu a Eglom, rei de Moabe, poder sobre Israel. Eglom fez aliança com os amonitas e com os amalequitas, derrotando, assim, Israel, que ficou sob o domínio de Eglom, por dezoito anos, pagando tributos ao rei de Moabe ( Jz. 3. 12-14), segunda consequência da desobediência.
  Já bem próximo do final dos dezoito anos, os israelitas lembraram do Senhor, clamaram por um outro líder, e o Senhor ouviu e levantou Eúde, da Tribo de Benjamim.
  Eúde ficou responsável por levar os tributos ao rei Eglom. E após o pagamento, a sós com o rei, o assassinou com uma espada, livrando Israel desses tributos e da opressão dos moabitas.
  Eúde foi um homem de ação direta, tomando uma radical e violenta decisão para libertar seu povo. E durante oitenta anos os israelitas alcançaram um período de paz. 
(1314 a.C - 1234 a.C)


  Após a morte de Eúde, o povo, mais uma vez, voltou-se para os ídolos das nações vizinhas, desagradando ao Senhor, que dá poder ao rei Jabim de Canaã para oprimir Israel, terceira consequência da desobediência. E o povo foi cruelmente oprimido durante vinte anos.
Durante esse período é que a história de Sangar - 3º Juiz - se mistura com a de Débora , não havendo qualquer referência em Juízes acerca do seu tempo. Diz apenas que após Eúde, Sangar, filho de Anate, da Tribo de Judá, libertou Israel (Jz 3:31) da opressão dos filisteus.  
  Segundo o site "Cronologia da Bíblia", o tempo de Sangar se situa, brevemente, entre Eúde e Débora, e coincide com os vinte anos em que os filisteus oprimiram Israel, dando a entender que embora Sangar tivesse obtido certo êxito em sua missão libertadora, a opressão não havia cessado. Até que Débora foi autorizada por Deus a libertar o povo. 
De acordo com grandes estudiosos e também arqueólogos, existem grandes vácuos cronológicos durante esse período.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Estudo sobre o período dos Juízes - 1ª parte

     
Este período foi marcado por uma exacerbada instabilidade espiritual: desde que houvesse um juiz, o povo servia a Deus, caso não houvesse, o povo ia após os deuses de outros povos.
No Período dos juízes, os Hebreus passaram por diferentes ciclos de instabilidade política e econômica, além de diversos períodos de conturbação religiosa, submissão a outros povos e posterior libertação, ficando em cada ciclo, o povo mais corrupto e devasso. Repete-se seis vezes a sequência de repouso, recaída, ruína, arrependimento, restauração e outra vez repouso. A fé do povo era mais fraca que a dos seus líderes.

 Antes de iniciarmos o estudo sobre o período dos Juízes, é importante fazermos uma introdução anterior a essa fase inicial de uma outra liderança:

      Moisés foi o instrumento pelo qual o Senhor instruiu o povo de Israel.  Por meio de Moisés o Senhor orientou sobre a necessidade de nomear juízes e oficiais para que julgassem o povo com justiça por um determinado período de tempo, até quando o povo entrasse na terra prometida e desejasse um rei, assim como as nações ao redor possuiam. 
    O Senhor mostrou todas as bênçãos que os israelitas receberiam se continuassem em Sua presença; assim como mostrou também as maldições que cairiam sobre o povo se este se afastasse dos caminhos do Senhor, seguindo aos ídolos das nações vizinhas.
E como o Senhor é Oniciente, chamou Moisés para lhe comunicar que o dia de sua morte estava bem próximo ( Dt. 31.14). E mesmo com o líder Moisés vivo, o povo demonstrou rebeldia e corações obstinados, pior seria quando Moisés morresse. 
Sabemos que Moisés não entrou na terra prometida porque um dia, no deserto, quando o povo estava sedento, Moisés clamou ao Senhor que fez jorrar água em abundância de uma rocha. Mas Moisés não deu a glória ao Senhor diante do povo. E por ter sido infiel ao Senhor, somente contemplaria Canaã de longe...
     Então o Senhor orientou Moisés para que colocasse Josué como líder, aquele que conduziria os israelitas à terra prometida.

    A conquista pela terra de Canaã durou sete anos, e após ter sido conquistada, Josué - sucessor de Moisés - dividiu a terra entre as doze tribos ( Rúben, Gade, metade da tribo de Dan, Simeão, Judá, Benjamim, Efraim, Manassés, Issacar, Zebulom, Aser e Naftali.
    Após a morte de Josué, Israel ficou sem um líder nacional por mais de 300 anos. Durante o período dos juízes, Israel não teve governo estável, foi um tempo de transição; também foi um tempo quando Deus colocou o povo israelita à prova para ver até onde ia a sua obediência  aos Seus ensinamentos dados por intermédio de Moisés. 
    E após a divisão das terras e a morte de Josué, Deus permitiu que Israel habitasse entre os povos pagãos: cananeus, hititas, amorreus, heveus, jebuseus e os periseus. Como o Senhor predissera, os israelitas abandonaram as orientações e casaram-se com as mulheres desses povos e prestaram culto aos seus deuses.
   Em Juízes 3.12-30, podemos ver que o povo peca; Deus levanta contra ele uma nação para castigá-lo; o povo clama pelo perdão de Deus, ELE atende; Deus levanta um libertador, a paz retorna...