terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Estudo sobre o período dos Juízes - 5ª e última parte

    Como está escrito, Sansão, cuja mãe era estéril até o momento de ser visitada pelo anjo do Senhor anunciando-lhe a divina graça de uma gestação, pertencia à tribo de Dã, e desde o ventre foi consagrado ao Senhor (Nazireu). 
   Nessa época, enquanto a Grécia estava em pleno desenvolvimento, a cultura egípcia entrava em decadência.
    Cresceu em um lar onde Deus era adorado e sua missão era a de  libertar Israel das mãos dos filisteus,  cresceu sabendo qual era o propósito do Eterno para a sua vida.
Possuía uma força inigualável, que lhe era atribuída pelo Senhor, somente enquanto continuasse a LHE obedecer, mas viveu uma vida dissoluta e imoral, teve em suas mãos a chave da vitória, teve toda a autoridade de Deus para libertar os israelitas da opressão dos filisteus, mas acabou sendo preso por eles, Sansão foi guiado por suas paixões, e quebrou o voto com Deus.
    Iniciou apenas o processo de libertação dos israelitas das mãos dos filisteus, o que foi totalmente cumprido muitos anos mais tarde pelo rei Davi, que era "um homem segundo o coração de Deus".
    Em Juízes 14, a partir do versículo 3, podemos acompanhar o início da desobediência de Sansão. Mas recebeu o favor de Deus em seu momento final, com uma oração genuína, e por essa oração está entre os "Heróis da Fé".
    Data provável de sua atuação em Israel:  de 1038 a.C.  a   1018 a. C

           Após a morte de Sansão, "cada um fazia o que lhe parecia certo" - Juízes 17.6

                      

               
   Como a tribo de Dã não havia recebido herança entre as tribos de Israel, seus homens de guerra decidiram procurar um lugar para se estabelecerem. E com informações de espias que estudaram a região, chegaram a uma tranquila cidade chamada Laís.
Mataram todo o povo a fio de espada, reconstruindo a cidade e trocando o seu nome para "Dã", adotando a forma pagã de culto aos deuses estranhos. Esse também foi um período de grande anarquia, homossexualismo e idolatria...
   Homens perversos da região de Gibeá e da tribo de Benjamim, cometeram atrocidades provocando a guerra entre os israelitas e a própria tribo de Benjamim. Os homens das tribos de Israel cercaram, estrategicamente, os da tribo de Benjamim no deserto, exterminando-os.
E os poucos sobreviventes que restaram, apenas seiscentos homens benjamitas, para que a tribo não fosse extinta, foi-lhes dada a oportunidade de tomarem mulheres de Siló, reedificarem a cidade e voltarem para a sua herança.
                         E todos continuaram a fazer o que lhes parecia certo...

                               NOTA: Nesse período há um outro vácuo cronológico...
   
     Enquanto Josué estava preocupado com a questão da conquista da terra e a criação de um território nacional, os juízes preocupavam-se em manter a religião judaica, impedindo que os israelitas se contaminassem com a cultura pagã dos outros povos vizinhos, o que parece um paradoxo, pois Gideão casa-se com canaanitas;  permanece a questão se Jefté realmente sacrificou sua filha; Sansão casa-se com uma filistéia e toda a tribo de Benjamim teria se corrompido ao ponto de comparar-se com Sodoma, tendo sido castigada por todas as outras tribos.

    Seguindo todo esse período, surge Eli, aos 58 anos de idade, divinamente escolhido para os sagrados deveres do sacerdócio e posto no país como a autoridade judiciária mais elevada, exercendo grande influência sobre as tribos de Israel.
    Embora fosse um servo do Senhor, comodamente permitiu que seus filhos (Hofni e Finéias), que eram tidos como filhos de "Belial", seguissem seus próprios caminhos, sem contender com eles, até que Deus  anunciou a Eli que seus filhos morreriam em breve. Eli esteve no sacerdócio por quarenta anos, julgando a Israel, mas não teve sucessor entre seus descendentes, pois não havia entre eles ninguém digno para tal função diante de Deus, que responsabilizara Eli, como sacerdote e juiz, pela condição moral e religiosa do Seu povo, e em especial pelo caráter dos seus filhos. Durante quarenta anos Eli exerceu seu sacerdócio e seu juizado diante do povo.
    E foi no santuário de Siló que Ana, mulher de Elcana de Efraim, sempre subia ao monte para orar ao Senhor por um filho, pois era estéril, e prometia que, se Deus a abençoasse com um filho, ela o consagraria ao Seu serviço por toda a vida. E um dia, Eli vendo toda a sua aflição, dirigiu-lhe palavras de bênçãos - I Samuel 1.17.
E dentro de um ano, Ana deu à luz a um menino, dando-lhe o nome de Samuel ( que significa literalmente "Seu nome é Deus", seu significado contextual significa: "Pedido de Deus").       
   Durante seus primeiros anos de vida, ela manteve Samuel em sua casa. Depois ela o entregou a Eli para que o criasse.
Samuel foi crescendo seguindo as orientações religiosas de Eli, demonstrando ser obediente e um grande discípulo. Foi crescendo cheio de fé e de coragem, fortalecido pelo Espírito que Deus concedia sobre ele, sendo reconhecido pelo povo como seu futuro líder.
   Eli já estava bastante idoso, e também reconhecia que seu sucessor como juiz seria Samuel.
    Uma ocasião, sentado em sua cadeira, à beira da estrada, aguardando notícias sobre uma batalha entre os filisteus e o povo judeu, um mensageiro chegou correndo da batalha informando sobre a morte dos dois filhos de Eli e que a Arca de Deus havia sido levada pelos filisteus. Quando soube do destino da Arca, Eli caiu da cadeira, morrendo ao quebrar seu pescoço, com a idade de noventa e oito anos.
    A Arca Sagrada permaneceu com os filisteus por um período de sete meses. Durante esse tempo, eles sofreram muitas calamidades e infortúnios, levando-os a devolverem a Arca ao povo judeu, que foi levada para Bete-Semes, e depois da matança, por parte de Deus, de alguns homens que foram irreverentes em relação à Arca, esta foi devolvida para Quiriate- Jearim, permanecendo por vinte anos.
   E segundo grandes historiadores, somente a partir daí é que aparecem registros sobre a atuação de Samuel junto ao povo de Israel.

  Samuel foi o último dos juízes e o primeiro dos profetas. Homem de profunda piedade e discernimento espiritual, dedicava-se totalmente à realização dos propósitos de Deus para o bem de Israel. Sendo ele descendente da linhagem de Arão, sucedeu a Eli no cargo sacerdotal. Ao que parece, foi o primeiro a estabelecer uma instituição para o preparo dos jovens que desejavam abraçar a vocação profética. Viu-se na contingência de guiar a Israel em algumas das mais profundas crises de sua história; no desempenho de suas funções, quase alcança a estatura de Moisés.
    Deus nunca pretendeu que Israel tivesse outro rei além DELE. Mas o povo começou a olhar para os outros povos ao redor e a desejarem um rei para si.
    Podemos afirmar que a vida do povo de Deus pode ser resultado de Sua vontade direta ou permissiva; Samuel foi comissionado para ungir a Saul, o primeiro rei, e a David, o maior dos reis de Israel.
   Samuel exercia suas funções como sacerdote e profeta e ainda como juiz e administrador.
   O Senhor sempre dava a vitória aos israelitas contra os filisteus, que durante todos os dias de Samuel não afligiram Israel.
   Samuel foi envelhecendo e sentiu a necessidade de instruir seus dois filhos  para seguirem com a função de juízes - I Samuel 8.1, mas eles não seguiram os passos de Samuel: Joel ("o que agrada a Deus"), seu primogênito, e Abias ( “O Senhor é meu Pai”), foram educados no temor do Senhor. Samuel ensinou-lhes tudo o que ele tinha aprendido sobre a vida e como viver no temor de Deus. Porém, esses dois filhos não agiam como seu pai esperava. 
   Quando cresceram, Samuel acreditou que mudariam se os colocasse como juízes e os fizesse assumir responsabilidades administrativas sobre o povo. 
Assim, ele lhes deu a função de seus ajudantes e lhes deu poder, e eles estabeleceram seus postos de juízo em Berseba, localizada na região sul de Israel.
Entretanto, isso foi pior. Os dois filhos de Samuel se tornaram rebeldes. Cobravam pagamento para fazer julgamentos, e atendiam de acordo com quem lhes pagasse melhor. A avareza fez com que eles pervertessem a administração da justiça e agissem de uma maneira corrupta.
O povo começou a temer que quando Samuel morresse, seus filhos tomassem seu lugar e então a situação se tornaria impossível de suportar. Por essa razão eles se aproximaram de Samuel e lhe pediram que escolhesse alguém para ser rei, I Samuel 8.6. 
Esperavam que um rei escolhido fosse melhor que os filhos de Samuel
Mesmo não se agradando da petição, ele sabia que o povo estava certo, e entristeceu-se pela forma como seus filhos viviam. Sentia que tinha fracassado como pai. Era muito triste ver o que faziam, ainda sabendo quais eram os caminhos de Deus.
Samuel consultou a Deus antes de confirmar a petição, alertando os israelitas quanto aos direitos de um rei sobre seus súditos e suas terras.
    Desde sempre, era da vontade de Deus permanecer como único Deus e Rei para o povo de Israel, mas não foi assim que a história aconteceu... e o povo insistiu com Samuel que orou mais uma vez ao Senhor, recebendo a seguinte ordem: "atenda-os e dê-lhes um rei" - I Samuel 8.22.
    E Deus revelou a Samuel que lhe enviaria um jovem da tribo de Benjamim para ser ungido rei sobre Israel. E foi assim que aconteceu o encontro entre Saul e Samuel - I Samuel  9. 1-27
    
               ** Samuel foi o elo entre o período dos Juízes e o período monárquico. 


         A Bíblia não estabelece por quanto tempo Samuel julgou a Israel. Diz, no entanto, que julgou Israel todos os dias de sua vida, e não meramente no tempo de seu juizado - I Samuel 7.15.
                 ** A tradição judaica lhe outorga o título de primeiro dos profetas maiores.



        A grande dificuldade encontrada foi a de definir o início e o término de cada juizado, devido aos vácuos cronológicos, argumentados sempre pelos grandes historiadores que ressaltam que a simples soma do tempo de atuação dos juizes israelitas dá um total que difere do tempo de perseguição informado no livro de Juízes. 
A conclusão diante dessa realidade é que alguns relatos de perseguições e de
juizados se sobrepõem.  
O historiador Archer diz que é preciso entender que houve períodos nos quais
duas carreiras coincidiram no todo ou em parte. Ele apresenta como prova disso o texto
de Juízes 10.7 que mostra que a perseguição sobre os amonitas e sobre os filisteus se deu ao mesmo tempo, presumindo que ao mesmo tempo também atuaram os juízes que
combateram esses povos.

Encerramos aqui o resumo sobre o período dos Juízes sobre os israelitas, desejando que tenha atingido a expectativa,  lembrando para que a Bíblia Sagrada seja consultada sempre.
 



        


    

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